Em 1950, o Maracanaço precisava de um algoz que expiasse a tremenda derrota impingida pelo Uruguai de Alcides Ghiggia contra o escrete canarinho, num dos episódios mais improváveis após o 7 x 1 em 2014. Os brasileiros, que até a final exultaram e subiram nas tamancas anunciando a conquista do mundial antes da final, viram o destino, cruel porém justo, contrariar as expectativas de sua presunçosa jactância galinácea, já convencida e inebriada pelos brios da glória.
Como diria Muricy Ramalho: “a bola pune”. E a frustração daquela clamorosa derrota rapidamente cedeu lugar à sedutora atribuição da culpa, único subterfúgio capaz de aplacar a desilusão dos vencidos. No banco dos réus: Moacir Barbosa do Nascimento, então goleiro titular daquele mundial e ídolo do Vasco da Gama. Segundo Armando Nogueira, o personagem mais injustiçado do futebol brasileiro.
Mas eis que em 2026 podemos ter cometido um erro, não tão crasso quanto aquele de 1950, mas igualmente ultrajante e pouco menos injusto: a ausência do goleiro Muriel, irmão de Alisson, entre os convocados para disputar o Mundial de 2026.
Lancelotti, o sabichão, convocou Alisson Becker voltando de lesão, e se esqueceu de assistir à Série B para constatar que o irmão mais velho de nosso arqueiro titular é de longe muito superior ao caçula. Segundo pensamos, maior erro é se esquecer de um sadio capaz de fazer a diferença para convocar um ex-atleta machucado – o eterno menino Neymar é apenas uma convocação desfalque, presença inócua, ao passo que Muriel, este sim, defende o alvirrubro pernambucano com propriedade e, ao contrário do irmão, que apenas assiste aos jogos do Liverpool em posição privilegiada, encara a epopeia de disputar uma divisão de acesso como goleiro do Náutico, eu disse bem, Clube Náutico Capibaribe!
Ora, dois ou três leitores deste blog ilegível: quem dos irmãos encara desafio maior? Alisson, como figurante de um Liverpool milionário e todo-poderoso, ou Muriel Becker, que trabalha três vezes mais que o irmão para manter ilesa a baliza de um Náutico cujos zagueiros são os maiores inimigos do próprio time?
Para dirimir quaisquer dúvidas, submetemos o Língua de Sogra Compara ao escrutínio de rigorosos entendedores da bola, incluindo Muricy Ramalho, Celso Roth e o preclaro Dorival Presente do Subjuntivo Júnior, a fim de avaliar qual dos irmãos tem mais estofo e condições de evitar gols contra o Haiti e demais seleções plenamente capazes de desempenharem o papel de mosca nessa sopa insípida e rançosa que é o grupo que nos representa nesse Mundial, em plena terra da Lagosta Colérica.
Tirem suas próprias conclusões…


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